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Friday, December 2, 2011

Cisne Negro

Acho impressionante como pequenas coisas podem mudar nosso olhar. Vamos deixar de lado um instante o que Natalie Portman fez por Nina e pensar só na diferença de caracterização. Começando pelo óbvio, o cisne bom é Branco e o mau é Negro. No começo as diferenças são sutis: me lembro que quando ela começa a enlouquecer tem uma cena em que Nina passa por ela mesma no metrô. Ela-boa, está saindo do ensaio, voltando para casa, e no metrô passa por... ela-má, que anda na direção oposta. A boa está com suas roupas mais claras e leves, o cabelo bem puxado num coque, aquela coisa de bailarina impecável; a má está de sobretudo preto, maquiagem pesada nos olhos e cabelo solto. Só o contraste do cabelo já faz toda a diferença entre a pessoa mais rígida (e frígida) que é a bailarina perfeccionista com a mulher livre e sem responsabilidades que é a bailarina perfeita.

É bem legal também essa distinção que o diretor (Vincent Cassel, esplêndido) faz. Ele fala para Nina parar de se preocupar com a perfeição e viver, e só assim ela consegue realmente alcançar o que ela queria *spoiler* mas tudo tem um preço, e o dela é a loucura. Quem assistiu pensando que ia ver um drama de ballet se decepcionou. Quem assistiu pensando que ia ver um filme de terror se decepcionou. O filme é um maravilhoso thriller psicológico, que trata dos conflitos pessoais que aquela menina - que calhou de ser uma bailarina pela história, mas poderia ser qualquer outra coisa - passa e a constante busca pela perfeição, que só pode levar a uma vida infeliz e surtada.

Me lembro de ler um artigo sobre o filme em março, logo depois do Carnaval, que analisava justamente porque a personagem má fez tanto sucesso nos blocos. Apesar de a resposta me parecer óbvia, é uma coisa bastante interessante de se pensar. O Carnaval é um momento em que nos permitimos ser uma pessoa diferente do resto do ano, saimos da rotina, nos vestimos e comportamos de outra forma. Nada mais natural, então, que a personagem que vive - o Cisne Negro - e não tem responsabilidades ser quem todo mundo quer ser. Eu mesma me fantasiei de Cisne Negro e era só o que se via - assim como eu acho que ano que vem será da Amy, outra musa "transgressora" da atualidade. Enfim, acho bastante plausível o Cisne Negro fazer mais sucessos numa situação como o Carnaval do que o Cisne Branco, que é inocente, fofo, bonzinho.

Nina
Cisne Branco
Loucura
Transformação
Cisne Negro


#Swan Lake Op. 20, Act I N - Montreal Symphony Orchestra, Charles Dutoit

Monday, November 28, 2011

Tema livre

Fico meio perturbada com essas meninas que não tem nem 15 anos e já fizeram altos filmes, desbancam atores muito mais velhos e seguram cenas com alguns monstros do cinema. E além de tudo tiram fotos de fazer inveja em muita modelo. Na verdade meu impulso para esse post não era esse não, eu pretendia falar sobre um projeto do New York Times, 14 Actors Acting. Dirigido pelo fotógrafo - meu mais novo ídolo - Solve Sundsbo, o projeto mistura nomes consagrados como Michael Douglas e Robert Duvall a bons atores, embora não tão antigos, como Javier Bardem e Tilda Swinton a peixes novos que já provaram seu valor, como Natalie Portman, James Franco, Jesse Eisenberg e a novata, de 14 anos, Chloe Moretz. Os videos são incríveis, alguns são tensos (e intensos) demais.


No entanto, isso me levou a pesquisar essa menina (que fez 500 dias com ela, Kickass) e achei fotos lindas dela e outras meninas-prodígio que me espantam um pouco também. Elle Fanning desde Phoebe in Wonderland (A menina no País das Maravilhas, na tradução) já me deixou boquiaberta - mais ou menos como a irmã, Dakota Fanning, em I am Sam (Uma Lição de Amor). Essas meninas já contracenaram com Sean Penn, Felicity Huffman, Cate Blanchett; e não fizeram feio. Entra também para o time a eterna Little Miss Sunshine, Abgail Breslin, que em seu primeiro papel de mais destaque roubou a cena de Steve Carell, Toni Collette e Greg Kinnear. Mais uma vez fiquei impressionada com essas crianças que dão conta desses personagens tão complexos e me peguei pensando... isso não pode fazer bem para a saúde mental delas. Sempre lembro do Macaulay Culkin e toda sua genialidade que eu acompanhei (e, literalmente, cresci junto) que sumiu, se perdeu na vida e nas drogas. Essas meninas aparentemente estão indo bem, vale a pena ficar de olho!


Bom, e na pesquisa breve-breve sobre o projeto do NY Times eu descobri o tal fotógrafo incrível. Ele é da agência Art+Commerce que me pareceu bastante interessante - um ataque repentino de sono não me deixou ver com calma, mas guardei o link. O portfolio dele está neste link. Não preciso - nem consigo - falar mais nada. To de cara com as fotos de moda com as sombras!


#The Boxer - Simon & Garfunkel

Friday, November 25, 2011

Alice


Era briluz. As lesmolisas touvam roldavam e reviam nos gramilvos. Estavam mimsicais as pintalouvas e os momirratos davam grilvos. Me peguei numa fase Lewis Carroll e resolvi falar logo da versão Burtoniana de Alice. Eu já gosto da estética sombria fantasiosa do Tim Burton, acho incrível tudo que Colleen Atwood faz e tenho um pé lá no Mundo das Maravilhas, então a parcialidade é zero - mas tudo bem, larguei o jornalismo em tempo!

A fábula foi modernizada nessa adaptação que junta as duas histórias: Alice no País das Maravilhas e Alice através do Espelho, que é uma continuação da primeira (e mais conhecida). Muita gente viu o filme esperando uma versão com atores do eterno desenho da Disney, mas não é isso. O roteiro é outro - a animação conta somente a primeira parte - e a proposta não é um filme infantil. Aliás, tiro meu chapéu para quem fez a adaptação da Disney, que conseguiu manter toda a psicodelia e segundas interpretações e as criancinhas não crescem pertubadas... tenho pra mim que o Tim Burton pretendia fazer algo mais subjetivo ainda.

Alice da Disney. Fofo.
Croqui da Rainha Vermelha, quase chorei de felicidade quando achei fotos dessa exposição.
Ela conseguiu criar figurinos originais, modernos e fashion sem fugir do formato e cores básicos da história... e ganhou o Oscar mais que merecido por esse figurino.
Aliás, acho que foi a figurinista mais indicada ao Oscar... ela é tipo a Meryl Streep das roupas.
Chapeleiro Maluco, que além de ser o Johnny Depp usava essa roupa incrível.
Sem mais.
Croquis da Alice.
O primeiro é uma das muitas (sete, eu acho) versões que ela usa no País das Maravilhas - cada vez que ela muda de tamanho, ela muda de vestido.
O segundo é a versão do "mundo real", que é a Inglaterra Vitoriana.
Algumas roupitas da Alice em uma só sequência!


#The only living boy in New York - Simon and Garfunkel

Sunday, November 6, 2011

Maria Antonieta e(m) Queda Livre

Eu não posso abandonar esse blog assim, tão cedo. É um carma meu: penso num projeto, boto em prática, mas no momento que começo a divulgar e vejo que as pessoas estão lendo, toda a vontade de seguir em frente vai embora. A preguiça, fome e o cansaço me levaram a escolher um tema beeem fácil e óbvio. Hoje vou falar de Maria Antonieta, de Sofia Coppola.

A obra pop que todos idolatram, falo logo: acho o filme uma merda. Maria Antonieta foi muito mais do que uma mocinha bobinha que só gastava o dinheiro da França e bebia champagne. Acho as duas horas de filme extremamente mal aproveitadas, a história podia ter sido mais bem contada, mesmo sem perder a pegada moderninha. Me lembro ainda de sair do cinema com a sensação de tempo perdido - e logo eu, que tento aproveitar ao máximo tudo das produções culturais que acompanho. Lembro também de pensar que tinha visto o maior videoclipe já feito... roteiro e direção que fazem feio, ainda mais com um sobrenome desses.

O que salva o filme é a direção de arte que, dentro de sua pomposidade hollywoodiana e do universo Rococó, é um sonho! Nesse quesito se encaixa o figurino, que empalideceu a paleta da época para dar o tom leve e frívolo - e fofo - à história (ou, à História). Modelagem correta, perucas e maquiagem sensacionais. Vale a pena pelo visual, e só.


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Acabo de voltar do teatro - mental note: ir mais ao teatro. E, falando em filhas que seguem os passos dos pais talentosos...

Fui ver Queda Livre, das queridas Bel e Lulu, texto adaptado do livro Uma Longa Queda, de Nick Hornby. Livro que eu abandonei inacabado anos atrás, não por falta de tempo ou por não estar gostando, mas porque a maioria dos livros que eu começo eu não acabo - ou acabo anos mais tarde... enfim, tenho muita vontade de terminar esse.

O texto narra o encontro entre quatro personagens inusitados numa situação mais inusitada ainda. Fábio, Bia, Sofia e Gui se conhecem numa noite de réveillon no terraço de um prédio. Todos subiram até ali para cometer suicídio, mas passado o susto inicial (de ver gente na mesma situação, digamos, embaraçosa) eles conversam sobre os motivos de cada um e decidem se encontrar novamente em uma semana. Resolvem dar uma chance à vida.

Não faço desse o único assunto porque não tenho muito o que falar do figurino. É bom, convincente - fora uma blusa xadrez da Sofia (adolescente rebelde), que na minha opinião chama atenção demais e peca na saturação. Fora isso as roupas cumprem direitinho o seu papel de complementar, servir de suporte aos personagens. Os atores - Bruno Padilha, Marina Vianna, Lulu e Gustavo Falcão - estão muito bem. Mas me chamou a atenção mesmo o texto e a direção. As meninas fizeram uma ótima adaptação, muito boa para marinheiras de primeira viagem; apesar de ser a primeira aventura profissional, o que não falta para elas é bagagem!

Breve esclarecimento dos apelidos e considerações finais.
Bel é Isabel Falcão, Lulu é Luisa Arraes. As duas são pequenas em estatura e idade, mas cultura e talento não faltam e eu tenho orgulho em dizer que conheço. Isabel Mello assina o texto junto com elas. A direção, que para mim foi o elemento mais significativo da peça, é de Bernardo Jablonski e Fabiana Valor. Preciso dizer mais?

Está em cartaz no Espaço SESC Copacabana (rua Domingos Ferreira, entre Santa Clara e Constante Ramos) só até o próximo fim de semana (11, 12 e 13 de novembro).

Sexta e sábado às 20:00
Domingo às 18:00
Ingressos à R$20. Tem meia-entrada.

Monday, October 24, 2011

Pulp Fiction

Pulp Fiction. Essas duas palavrinhas já têm vida própria, esse filme conseguiu uma sobrevida pop-cult-alternativo que acho que o Tarantino não imaginava. Me lembro de ler o roteiro - um livro que foi lançado depois do filme (claro) que traz, de fato, o roteiro - na oitava série no recreio da escola. Os professores achavam estranho aquele projeto de gente lendo um texto cheio de Fuck, fuck, Motherfucking shit fuck e outras cenas mais de tanta violência. O cara da locadora não quis me deixar levar o filme, tive que ligar para o meu pai autorizar. Hoje sou mais uma dessas fãs que faz desse filme o "evento" que ele se tornou.

Sobre o figurino eu não tenho muito o que falar não. Me agrada a estética Tarantínica (ou seria Tarantinesca, Tarantiniana?) em geral. Essa coisa que remete ao film noir misturado misturado com uma atualidade pop, acho o cara gênio mesmo. A madrugada me emburreceu, não estou conseguindo muito falar melhor. Bom, uma coisa que eu gosto muito nesse filme é ser a volta do John Travolta (ha-ha) e trazer o personagem mais marcante da loira Uma Thurman - por nove anos, até Quentin lançar Kill Bill - com um cabelo chanel preto. Quebrando os padrões.

Travolta e Samuel L. Jackson
cartaz

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A dupla - genial - de diretores 300ml, que eu tenho o maior orgulho de dizer que conheço, fez esse curta maravilhoso que analisa os personagens e interatividade dos filmes do cara. Tarantino's Mind traz Selton Mello e Seu Jorge numa conversa de bar desvendando o código por trás das histórias. Vale super dar uma conferida, são 11 minutos.



#Qualquer coisa bom-brega. TV ligada, passando Roque Santeiro.

Thursday, October 20, 2011

Hora de voltar


Esse é um dos filmes que eu citei mês passado, no post sobre perdas. Vou me referir pelo título original Garden State que acho mais bonito, mas o título desse texto é a versão brasileira. Primeiro filme dirigido por Zach Braff (o JD de Scrubs). Esse filme é maravilhoso - sei muito bem que não é pra qualquer público, mas me atinge. A história é que Andrew volta para casa para o enterro da mãe. Ele não botava os pés na cidade há dez anos e tem péssima relação com o pai. Nessa jornada conhece Sam (uma Natalie Portman muito anterior a Cisne Negro), uma garota com epilepsia que insiste em ser one of a kind (acho que "única" é uma palavra muito comum para descrevê-la). Em diversos momentos ela resolve fazer uma coisa - um som, um movimento, uma expressão - inusitada, algo que ninguém fez antes e, nesse momento, ela se sente especial.

Andrew começa o filme confuso com o peso de ter que voltar a um lugar do qual se distanciou tanto, física e emocionalmente. Depois de conhecer Sam, ele inicia uma espécie de autoconhecimento. No fim já está certo do que quer e com a vida mais esclarecida. A direção de arte e o figurino cumprem um papel fundamental nessa narrativa. Além disso, a trilha sonora ajuda a compor de maneira lúdica e (até certo ponto) realista esse encontro que parece tão natural. Entre o homem que é estranho em sua própria terra e a garota que nova ali, mas já é de casa. Foi quando conheci The Shins, obrigada Zach!

No começo, o personagem se confunde com os cenários: roupa branca em fundo claro, preta em fundo escuro, cinza em dias nublados. Ele passa sem nenhum destaque, enquanto Sam desde a primeira cena causa contraste com seus elementos que tendem para o magenta (rosas, vermelhos, laranjas...) em cima dos cenários neutros. *spoiler* Ao longo da história, conforme o próprio roteiro vai se soltando, Andrew fica mais leve - visualmente, inclusive. Os cenários continuam muito frios, em tons de cinza, e o figurino dele fica mais leve e começa a contrastar. O protagonista finalmente se destaca, ganha vida.

No funeral da mãe, Andrew ganha uma camisa da tia e entra no banheiro para experimentar.
Não é que combinou?
Sam em destaque, enquanto Andrew e o amigo Mark (Peter Sarsgaard, my love) ficam apagados. Ainda assim, esse é mais ou menos o turning point para o protagonista, e o preto contrasta um pouco mais com a mata chuvosa que o cinza.
Na última cena, já esclarecido, Andrew se destaca do fundo branco de aeroporto com a blusa vermelha. Os tons terra fazem alusão, também, a ele estar mais centrado.

#The only living boy in New York - Simon e Garfunkel
(trilha do filme mode:on)

Wednesday, October 19, 2011

O Palhaço

É tanta informação que não sei nem por onde começar. Quem me conhece sabe bem como o universo do circo sempre me encantou, seja pela maquiagem, pelas roupas, objetos cênicos e até mesmo o próprio fato de ser um circo, as acrobacias e palhaçadas. O filme é O Palhaço, de Selton Mello - primeiro sinal que seria um bom projeto. Direção de arte e figurino simplesmente espetaculares, meu exercício agora é usar outros termos para dizer isso e especificar mais.

A incrível mistura de xadrezes, listras, bolas, cores saturadas, tecidos rústicos com outros mais nobres, broches, flores e outros elementos de adorno, a maquiagem clássica - especialmente nos palhaços. Além disso, o universo circense foi tão bem construído (Claudinho e Ula, quero ser vocês quando crescer!) que eu quando eu saí do cinema deu um vaziosinho tipo "queria que fosse verdade". Nesse caso, nada melhor que o tão batido clichê, uma imagem vale mais que mil palavras. Vale ressaltar também o elenco, com alguns "monstros" das antigas e excelentes revelações!

Os monstros consagrados, gênios.
O cenário atrás e o crash de estampas do figurino.
#quebratudo

Cara nova no pedaço - pelo menos para mim. Ela arrasa.
Detalhe para os cílios falsos, maiores que Dzi Croquettes, um luxo!

Uma geral do figurino.

Arte: cartaz lindo.

#Dedicated to you - John Coltrane

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Vale lembrar que eu aceito e peço, encarecidamente, que comentem!!! Um blog depende do feedback dos leitores, mesmo que sejam só dois ou três. E sugestões de filmes, novelas, clipes, etc são bem vindos! Fica a dica, gente, h e l p.

Sunday, October 16, 2011

A hora e a vez

Hoje volto um pouco ao tema. O primeiro figurino que me chamou a atenção nesse Festival é de Beth Filipecki. Na verdade, enquanto filme, eu esperava mais de A hora e a vez de Augusto Matraga porque tem João Miguel e José Wilker, isso já devia bastar. Acho que esses dois são tão "monstros" que minhas expectativas ficaram lá em cima... É um clima bem sertão com jagunços, coronéis e esses heróis estilo velho-oeste que são solitários e cheios de inimigos, mas enfrentam um bando todo sozinhos. Esse é João Miguel, ou Augusto Estêves. A imagem eterna que tenho do José Wilker é o coronel, austero, de branco; não deu outra, o visual de Joãozinho Bem-Bem é exatamente isso (o personagem é uma espécie de justiceiro por linhas bastante tortuosas).

Não consegui fotos dessa refilmagem, o tio Google só me mostra fotos do primeiro filme, lá dos anos 1960... Mas é o seguinte: algodões bem rústicos, um branco sujo meio off-white, rendas para as mulheres. Alguns terras marrons, ocres, cinzas e azuis-marinho sofridos com o tempo. Augusto, enquanto homem forte e valente, usa o clássico branco-coronel mais puxado pro envelhecido, amarelado. Depois de levar uma coça e quase morrer, passa anos sendo cuidado por um casal que o achou no meio do mato. A maquiagem (prefiro o termo caracterização) do João inchado, cheio de cortes, ensanguentado é de um realismo incrível. E o interessante é que, depois de sobreviver e virar um homem religioso, ele começa a usar roupas escuras. Calça enrolada no tornozelo, tipo pescador. Uma roupa toda mais despojada.

As lendas
Além de Wilker, o filme traz outra lenda-viva: Chico Anysio. Um coronel que manda numa enorme turma de jagunços e arquiteta emboscadas e assassinatos sem sujar uma unha. Acompanha tudo do conforto do seu lar, nem até a varanda ele vai. Seu figurino é muito forte, bem contrastado no preto e branco. Mas preto e branco limpos, não os tons "vividos" que o povo usa. E Joãozinho, já disse ali em cima, essa coisa bem coronel (apesar do personagem ser uma espécie de cangaceiro chique) de branco-limpo também, com aquela postura de José Wilker, o invencível. Um lorde (meio Timóteo Cabral, de Cordel Encantado).

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Hoje vi também o documentário Os Últimos Cangaceiros e achei interessante e digno de comentar que o figurino deles enquanto cangaceiros não era o que costumamos ver, em tons de terra (como o bando de Herculano em Cordel, com marrons, beges, ocres e brancos-sujos). Imagino que a reconstituição tenha sido bastante fiel, porque Durvalina e Moreno fizeram parte do bando de Lampeão. As roupas que usavam no filme era de um azul fortíssimo, quase turquesa, e faixas vermelhas. Muito lúdico, muito lindo.


#Mágica - Os Mutantes

Saturday, October 15, 2011

O sublime e o abismo (prateado)

Ontem cheguei em casa 00:45 depois de um dia inteiro exaustivo na rua, tendo começado às 5:30. Obviamente não tive forças pra postar nada, mas tinha um texto em mente - sim, é sobre o Festival e sim, ainda não estou voltando meu foco pro figurino ainda. Mas então, a ideia era falar sobre o necessário Sudoeste e o insosso O Abismo Prateado. Acontece que hoje eu tinha um dia lindamente planejado, começando com um workshop de figurino, A hora e a vez de Augusto Matraga e depois o Cine Encontro (debate) sobre o filme. Claro, estava contando com qualquer coisa de comer ali do bar do Armazém, já não tem nada por perto*.

Vou primeiro, então, contar minha profunda decepção com a organização do Festival e depois volto aos filmes. O nome workshop dá aquela ideia bacana de que a gente criar alguma coisa né? Nem que fosse decupar um roteiro só... mas não, foi uma palestra. Uma palestra muito cara. Desinteressante não foi, mas definitivamente não valeu o preço. Tudo isso porquê? Um certificado de 4 horas para eu entregar na faculdade. Obrigada, hein - isso porque no ano passado eu trabalhei de fotógrafa voluntária pelo menos umas 40 horas e o certificado que me deram foi de 20 horas.

O Pavilhão desse ano, além de ser pior de chegar (é perto, mas ano passado a rua da esquina tinha muito mais opção de ônibus) é menor. O banheiro é químico. O som escapa das salas, então as palestras e debates são invadidos pelo som dos filmes, é horrível. Hoje, depois da decepção do "workshop" eu pensei que almoçaria no bar que eles montaram ali dentro e seguiria o dia normal, com filme + debate. Não, justo num sábado - dia que a maioria das pessoas pode fazer programas de lazer, tipo ir até a zona portuária assistir um filme e um debate - resolveram fazer a feijoada restrita para convidados. Lá no Pavilhão, ó que lindo! E sem aviso nenhum, que é um absurdo, o lugar hoje não tinha bar. Não tinha comida para os reles mortais que resolveram usar seu sábado para fazer um programa cultural.


Fecha os olhos.
Agora escuta o som da chuva.

Enfim, passada minha raiva, vamos aos filmes. Nunca tinha ouvido falar nesse diretor, vale ficar de ouvidos (e olhos) atentos, que ele promete: Eduardo Nunes. Sudoeste é diferente de tudo que tem sido produzido ultimamente no Brasil e no mundo - ok, por aqui eu tenho certeza que não há nada parecido; no mundo eu to generalizando legal, mas quero dizer do que eu fico sabendo. Uma fotografia abusada de linda, em preto e branco com alta granulação. É um filme de detalhes: muitos planos fechados, expressões, texturas, tons de cinza. Trilha sonora original incrível que ajuda a compor essa fábula. É uma verdadeira e sublime obra-prima. A história, realmente, dá um nó na gente.

O filme se passa em um dia, 24 horas. Para a personagem principal, esse dia significa uma vida inteira - literalmente, ela começa o filme bebê e termina uma senhora e morre. Para todo o resto, é exatamente um dia mesmo, como outro qualquer. Na verdade, Clarice começa o filme morrendo, de madrugada. Pela manhã (no seu tempo todo particular) ela nasce. Chegando a tarde ela tem uns 10 anos, na pele da lindinha Raquel Bonfante. Mais para o fim da tarde, se transforma na Simone Spoladore. Ela morre na madrugada na pele de Regina Bastos. As duas personagens se chamam Clarice: a que morre e a que nasce.

É um filme que faz a gente pensar. A vida que ela vive nesse dia é mais ou menos a mesma vida da que morreu. Ela reconhece na família da Clarice morta, sua própria família. Mas não é reconhecida por eles, a única semelhança que a família vê nas Clarices é o nome. E eu saí do filme com a questão: são mesmo duas Clarices ou é uma só? Porque que ninguém reconhece? Cada frame desse filme é de chorar. Deveria ser lançado um livro daqueles bem grandes e caros de fotografia só com imagens extraídas do longa. O maior dificultador de público é o tempo da história. É extremamente lento - o que, pra mim, está longe de ser defeito nesse caso.


Inspirado na música Olhos nos olhos, de Chico Buarque.
Uma pena que uma música tão boa rendeu um filme tão chato.

Outro filme lento é O Abismo Prateado, mas nesse caso o tempo vai contra a história. Umas cenas desnecessárias que não contribuem para a história, outras extremamente chatas... a sinopse é uma mulher que é abandonada pelo marido que - quase melhor que o post-it da Carrie, em Sex and the City - faz isso por um recado no celular. Confesso que dormi metade do filme. No começo, cenas mal enquadradas, apertadas demais. O marido sai do banho, fica na varanda e depois fica um tempo com a geladeira aberta para escolher o que quer, nu. Um nu completamente dispensável para o filme (diferente das intermináveis cenas de Eu receberia... por exemplo). E a mulher é dentista, outro fato irrelevante, e tem cenas com bocas sangrando e aquele barulho insuportável de motor de dentista. Tremi de nervoso na cadeira.


#Seven nation army - The White Stripes

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* Quero ver essa revitalização da Zona Portuária BOMBANDO hein... poxa, vários eventos já são sediados por ali, o público (e os moradores do Rio de Janeiro em geral) merece uma área mais apresentável no Cais.

Wednesday, October 12, 2011

Eu receberia...

Já começo dizendo que eu não esqueci que a minha proposta para esse blog é comentar figurinos, mas é que o Festival acontece só uma vez por ano e eu quero dar ênfase a esse evento que merece todas as atenções durante essas duas semanas que enchem os cinemas do Rio de vida. E, não lembro se já disse aqui, durante o Festival eu priorizo os filmes nacionais, até porque a maioria não entra em cartaz depois ou demora muito. Esse ano tá fraco pra mim... o primeiro filme que vi foi hoje (o Festival começou dia 6).

Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios. Um filme de Beto Brant baseado no livro homônimo de Marçal Aquino. Lavínia, Ernani e Cauby. Três personagens num triângulo amoroso cada cena mais complicado e difícil de resolver. Um final que eu não vou comentar na tentativa de deixar uma pulguinha atrás da orelha dos leitores, espero que todos vejam esse filme maravilhoso o quanto antes; Ainda tem mais 4 sessões no Festival e estréia em circuito só em março.

A trama acontece em Santarém, no Pará, que pelos takes dá pra sentir que é um verdadeiro Paraíso na Terra - e, segundo Beto Brant, não tem mosquitos no fim da tarde. Durante o filme mesmo me impressionou a atuação, especialmente da Camila (Lavínia). Gero Camilo, mais uma vez inesquecível. Gustavo Machado em alguns momentos me lembrou seu Félix de O Amor segundo B. Schianberg (também de Brant). Não tenho palavras para o pastor de Zecarlos Machado, impressionante. Claramente todos se entregaram de corpo e alma a esses personagens e o resultado só podia ser bom!

Mas o que eu gostei mais foi o debate. Fui na "sessão popular" do Festival, onde o ingresso é R$2,00 e tem debate sobre o filme com equipe e elenco. Minha primeira impressão era que não tinha uma necessidade daquela história acontecer em Santarém, mas no debate me percebi enganada. E não é só o lugar que é importante para o filme, o filme também é importante para o lugar. A questão abordada, sobre o desmatamento e a briga entre índios e madeireiras é real - sim, na vida todo mundo sabe que isso existe. Mas no filme, no filme mesmo isso é real. Uma cena crucial para o desenrolar da história foi de fato um protesto das aldeias que vivem nas margens do rio, que deu mais ainda um caráter documental - que, eu acho que posso dizer, é bem particular do Beto Brant.

Dois dos oito líderes do movimento contra o desmatamento da Amazônia estavam no debate. Quando eles falaram da despreocupação do governo em relação às tribos e ao ambiente onde habitam me deu um aperto no coração. Uma vontade de ser alguém, de ter poder para fazer algo a respeito. Esse filme, eu acho, pode ser um grande divulgador do movimento, mas não deixo de pensar que a primeira impressão das pessoas - assim como a minha - não vai ser o problema dessas nações indígenas que estão perdendo seu espaço e, sim, a história e o desenrolar do triângulo amoroso. Não vou me estender mais porque eu sei que não tenho muita base para falar da reivindicação deles, não quero falar bobagens. Mas acho importante ressaltar que esse oito líderes estão jurados de morte onde vivem e o governo recusou os pedidos de escolta policial. Não tenho nem palavras para dizer o quão absurdo isso é.

Um breve parágrafo sobre os aspectos técnicos do filme. Começo pelo que mais chama a atenção: a fotografia. Parabéns, Lula, o filme todo é muito lindo - que que é a cena de Lavínia e Cauby no rio??? De resto era tudo muito realista, muito bem feito. Uma tecla que eles martelaram bastante no debate, o clima das gravações foi tão bom, tão familiar, que tudo se encaixava. O figurino realmente não é o carro-chefe do filme, mas é impossível não notar que ficou muito bom, que é realmente aquela gente que vive ali e as roupas dizem isso. Direção de arte a mesma coisa.

Deu uma vontade danada de ler o livro...


#Perdão você - Marisa Monte

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Nossa, tenho uma sensação tão forte de que esse texto ficou confuso... mas não estou em condições de melhorar agora. Seja o que for pra ser.

Monday, October 10, 2011

Insônia

Gente, um pequeno adendo: acabei de realizar - sim, só A GO RA - que além de A Grande Família e Tapas e Beijos, Claudio Paiva criou TV Pirata, Sai de Baixo e aquelas charges da Revista (domingo n'O Globo) são... dele! Há.

Ainda bem que eu só lembrei disso agora, se não eu não ia abrir a boca pra falar nada na frente desse gênio. To pasma.

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E o sono, cadê? Ah é, perdi duas horas e meia (sim, isso tudo) de dia útil hoje porque eu praticamente entrei em coma - vamo combinar, cochilo é no máximo uma hora... du-as ho-ras e meia é preocupante!

Adorei que ontem eu liguei a TV para dormir e estava passando Oceans. Eu tenho medo de mar, medo mesmo, não entro sozinha e tal. É todo um universo que eu não conheço e não tenho o menor controle e isso me apavora. Mas esse documentário é mexeu muito comigo, achei maravilhoso e queria ter em casa! E nessa onda "fundo do mar" faço mais uma homenagem à Baleia.

Sunday, October 9, 2011

Festival do Rio

Não acordei muito inspirada, então vou ser bem breve e abrangente. Festival do Rio, essa celebração do cinema na Cidade Maravilhosa, que com certeza é o período do ano que a maioria dos cariocas vai ao cinema - pelo menos para ver filmes que interessam, não os blockbusters e 3d de sempre, que costumam estrear na época do Natal. Em 2009 estipulei um plano de Festival para mim: filmes nacionais. A maior parte da produção de cinema do Brasil, especialmente os independentes ou de produtoras menores (que fogem do circuito Conspiração - Globo Filmes - O2...) tem sua chance de brilhar!

Esse ano já fiz uma lista enorme, agora vou correr atrás. Entre os mais esperados do grande público, Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios de Beto Brant, O Palhaço de Selton Mello e Capitães da Areia de Cecília Amado. Aliás, cadê a Revista do Festival que O Globo lança todo ano???

Câmbio desligo.

Saturday, October 1, 2011

Elvis e Madona

O figurino desse filme não é o que mais impressiona. Sob uma estética kitsch, o diretor Marcelo Laffitte entra no universo gay de Copacabana com uma visão que me parece inédita. Filme sobre a comunidade LGBT (me corrijam se eu estiver errada, e tomara que esteja) geralmente traz uma estética meio suja, meio submundo. Elvis & Madona* mostra, de forma limpa, simples e bonita, a história de amor entre uma lésbica e um travesti.

Elvis é Elvira, uma menina do interior que veio para o Rio ser fotógrafa. Para o Rio, para Copacabana. Madona nasceu Adailton, sonha em fazer um show só dela e trabalha num salão de cabeleireiros no Rio. No Rio não, em Copacabana. Elvis arranja um trabalho de entregadora de pizza, para pagar as contas, e na sua primeira entrega conhece Madona que tinha acabado de ser roubada. A empatia é imediata e o resto só vai saber quem assistir! Há.

Jaqueta preta, calça jeans e uma blusinha de malha com cara velha compõe o figurino de Elvis. O cabelo joãozinho preto completa o clássico look rebelde do rock'n'roll (aliás, falando em Rock, quando o Rock in Rio acabar quero falar sobre as principais figuras que por aqui passaram, e seus figurinos). Ao contrário do imaginário cultural que envolve os travestis, Madona não está sempre com plumas e paetês. O cabelo loiríssimo é, na maioria das cenas, o mais extravagante traço dela. As pérolas, lantejoulas e saias curtas estão na medida certa: real e um pouco brega, mas não vulgar.

Senhoras e senhores,
Apresentamos agora para vocês, ela - que é luz, raio, estrela e luar:
Lady Madona!

Igor Cotrim, que está irreconhecível na pele da travesti Madona.
Ele até que lembra um pouco o Fábio Assunção, não?
Madona e Elvis



Droga, demorei tanto para lançar o post que já virou o dia...

* o link é para o site oficial do filme e não para o imdb (como de costume) porque o imdb é muito fraco para filmes nacionais.

Wednesday, September 28, 2011

Em feverê tem carná

Tinha pensado em falar sobre Alice, mas queria falar com uma pesquisa boazinha sobre o filme e o figurino, vencedor merecido do Oscar 2011, então fica pra depois. Ainda to zonza, sem nem saber direito os dias e cheia de pesquisas acadêmicas pra fazer, portanto posts mais elaborados eu vou empurrando com a barriga. Outra que eu vou empurrar um pouco mais é Across the Universe.

Toda trilha é andada com a fé de quem crê no ditado. Todo carnaval tem seu fim. Nesse clima Los Hermanos, meio triste-tentando-pensar-em-coisas-boas, não quero falar muito. Vou comentar brevemente minhas fantasias do último carnaval, eu realmente me empenhei. Não reparem, por favor, na qualidade (ruim) das fotos.

Para o bloco Sem Rival: Madonna e David Bowie

Para o Boitatá: Isis (Jodie Foster em Taxi Driver). Essa é bem legal, porque tem uma referência clara e ninguém entende, não é tipo abelhinha, florzinha...

Para o Sargento Pimenta: o hit do carnaval desse ano, Cisne Negro (do filme homônimo).
EU. QUE. FIZ.
Fiz a saia de tule (que inferno!) e costurei as penas na blusa... trabalho do cão, mas ficou demais (a maquiagem nem tanto, por isso optei pela foto de costas).

#Things you call fate - Sondre Lerche

Monday, September 26, 2011

A vida.

Não vim falar sobre figurinos aqui. Nem sobre filmes, não essencialmente. Acho que não cabe aqui entrar em detalhes, e como por enquanto esse blog ainda é off-records, quem tem o endereço deve saber do que eu vou falar. Meu tema de hoje é a perda, que é uma parte tão importante de vida e às vezes a gente esquece.

Pra bom entendedor, meia palavra basta. Pois é, já deu para reparar que eu perdi alguém, uma pessoa muito querida que certamente fará falta. É bom, por um lado, porque o sofrimento acabou. Mas fica um vazio dentro da gente, uma tonteira, um não saber o que fazer... uma vontade de gritar. Lembrei muito da perda da minha avó, em 2009, quando eu tinha outro blog e era assídua. Me fez muito bem escrever, desabafar por ali. Então me inspirei e decidi fazer isso novamente, mesmo não tendo nada a ver com o tema e este sendo, teoricamente, um blog não (tão) pessoal.


Os filmes, que sempre me serviram de apoio na vida, também tratam desse assunto que é tão óbvio, difícil e delicado.
O Rochedo de Gibraltar trata de uma família que se reúne num fim de semana para o aniversário do patriarca, que morre no dia da festa e é descoberto pelos netos, que armam um plano para cremá-lo no mar, como uma antiga tradição viking.
There whole life was the sea, the sea, and their boats. So in celebrating their deaths- yes, you can say celebrating, they used both. The family's of the great Viking would put the body of their loved one on a ship cover it with straw and then as the sun was setting cast it away into the water. They would light huge bonfires on the beach, and then the Vikings would light the tips of their arrows in the bonfire and shoot them at the ship. Ah it must have been so beautiful, fire on the water. Legend has it that if the color of the setting sun, and the color of the burning ship were the same then that Viking had lead a good life, and in the afterlife he would go to Viking heaven. All night long the Viking men, women, and children watched the ship with the body burned in the water. By dawn all that was left was ashes, complete obliteration, carried by the currents to the four corners of the earth, fresh, and beautiful, and vanished completely, like a dream.
Agora e Sempre mostra o reencontro de quatro amigas e narra o último verão que passaram juntas.
Things will happen in your life that you can't stop. But that's no reason to shut out the world.
Peixe Grande e suas histórias maravilhosas é sobre um homem que volta para casa para acompanhar os últimos dias de seu pai, com quem ele nunca se deu muito bem. No universo fantasioso do filme é plausível o fim *spoiler* quando o pai, ao morrer, vira um peixe.
A man tells his stories so many times that he becomes the stories. They live on after him, and in that way he becomes immortal.
Meu primeiro amor é o clássico filme pré-adolescente, sobre a menina de 12 anos que é obcecada com a morte e perde o melhor amigo (o eterno Macaulay Culkin, então com 11 anos) atacado por abelhas.
Thomas J. Sennett: What do you think it's like?
Vada Sultenfuss: What?
Thomas J. Sennett: Heaven.
Vada Sultenfuss: I think... everybody gets their own white horse and all they do is ride them and eat marshmallows all day. And everybody's best friends with everybody else. When you play sports, there's no teams, so nobody gets picked last.
Thomas J. Sennett: But what if you're afraid to ride horses?
Vada Sultenfuss: Doesn't matter 'cause they're not regular horses. They've got wings. And it's no big deal if you fall 'cause you'll just land in a cloud.
Hora de voltar, Garden State no original, mostra a trajetória de um homem de volta para a casa, do outro lado do país, para o enterro de sua mãe. Nessa viagem ele conhece uma menina que sofre de epilepsia (Natalie Portman) que muda sua vida.
I know it hurts. That's life. If nothing else, It's life. It's real, and sometimes it fuckin' hurts, but it's sort of all we have.

Sunday, September 25, 2011

Retaliação/ Melancolia

Eu cismei que Melancolia concorreu a melhor figurino, mas me enganei. Hoje finalmente fui assistir e percebi que, não só o figurino não é nada de especial - não estou desmerecendo o trabalho de ninguém, mas não é mesmo o forte do filme - como eu não fazia a mais vaga ideia do que se tratava. É uma loucura, como qualquer Lars von Trier que se preze, mas muito bom. Tenho uns problemas com Trier desde Dogville, que eu acho o esquema muito interessante, mas não engulo aquele roteiro (o final até que salva, mas acho um filme ruim).

Melancolia, no entanto, recomendo. Não vou nem tentar dizer do que se trata para não estragar, aos interessados sugiro procurar uma sinopse num IMDB da vida... digo o seguinte: fotografia linda, atores excepcionais, cenário maravilhoso e boas direção (ótimo timing) e trilha sonora.


Achei muito interessante que, antes da sessão, passou um curta - no Cine Jóia é assim, acho uma boa proposta e ainda por cima o ingresso é muito mais barato, fica a dica. A verdadeira história da bailarina de vermelho, de Alessandra Colasanti e Samir Abujamra. Um documentário ficcional, completamente nonsense, divertidíssimo! Só achei o trailer com legenda em inglês, aí está:

Caramuru

Opa, já virou o dia então posso postar de novo - porque uma das coisas que eu achava ruim no Figo com Ricota era que um dia me baixava um santo e eu postava 20 coisas, aí passava dias sem nada, por aí vai... to querendo fugir disso. E começo esse post dizendo que estou mudando também o layout, cansei dos Tabs que não funcionam e ficar dando espaços.

Andei relendo o que eu já escrevi por aqui e resolvi compartilhar o resultado do meu Caramuru. O trabalho era o seguinte: propôr um novo figurino para um personagem do filme e o que foi sorteado para mim foi o próprio, Diogo Álvares. Ele é um português que veio parar no Brasil por acaso, sobrevivente de um naufrágio. Ao disparar acidentalmente uma arma de fogo, Diogo é tido como uma espécie de Deus e reza a lenda que isso ajudou muito no contato entre portugueses e índios. Breve panorama da época, em 3 palavras (ou termos)-chave - fruto do sono e da preguiça de formular frases: Renascimento. Grandes navegações. Descobrimento do Brasil.

O texto abaixo é a Defesa do figurino, tal qual entreguei no trabalho.

Diogo Álvares é um artista português católico. Quando chega ao Brasil e se depara com uma sociedade com costumes completamente diferentes dos seus. Gente sem pudor, que anda nua; com rituais diferentes daqueles permitidos pela Igreja; gente que não vê no canibalismo um problema. Num primeiromomento, ele se espanta, mas após disparar sem querer uma arma de fogo, percebe sua “vantagem” sobre aquele povo. Ele é imediatamente tido como um deus e é batizado Caramuru.

Os elementos de sua indumentária refletem seus valores. Diogo, enquanto português católico, usa um cruscifixo como símbolo de sua devoção à Deus e não consegue andar completamente nu como os nativos tupinambás. As roupas que tinha no corpo quando chegou à ilha não eram adequadas ao clima brasileiro e estavam em péssimo estado, por isso ele decidiu fazer suas roupas com materiais da floresta.


E ele, com muito (?) orgulho. Peço perdão pelo cenário confuso...



#Red hot chili peppers. TV ligada no multishow, na cobertura do Rock in Rio... prefiro estar aqui na calminha da minha casa do que lá na multidão. (:

Saturday, September 24, 2011

Uma doce mentira

Minha intenção hoje era ver Melancolia, que me interessa desde março - quando concorreu ao Oscar de figurino. Estava lotada a sessão, então dei um tiro no escuro e entrei no filme de horário mais próximo. Uma doce mentira, no original De vrais mensonges, foi uma bela surpresa: leve e divertido, mas tratando de um assunto sério. Trouxe uma Audrey Tatou que em nada lembra a Coco Chanel, mas ainda estou confusa quanto às semelhanças com Amélie. Recomendo e gostei da leveza com que o assunto é tratado, me lembrou Juno, Um grande garoto e Educação, que também narram temas sérios de forma extremamente sutil.
A história é o seguinte: Emilie (Audrey) é cabeleireira e tem seu próprio salão, onde trabalha Jean, uma espécie de faz-tudo que é apaixonado pela chefe. Ele um dia a manda uma carta anônima e ela, sem a menor ideia de quem seria o admirador, ignora e resolve mandar a carta para sua mãe, que ainda sofre com a separação do marido. Com isso, Emilie causa uma confusão que se torna uma verdadeira bola-de-neve e acaba se tornando um jogo de mentiras que não pode acabar bem - mas, claro, sendo uma comédia francesa, acaba.
O figurino é bem simples, contemporâneo. Roupas mais coloridas e animadas dependendo do humor do personagem; isso acontecia tanto com Emilie como com a mãe, Maddy, que ganha vida ao longo do filme e sua trajetória é perfeitamente perceptível nas roupas. O clima do salão era bem pushing daisies, com picos de cor como um cabelo laranja, um cinto vermelho, uma roupa verde... e as duas personagens que trabalham com Emilie são bem menininhas, com vestidinhos
leves, estampados, fofys.

Pushing daisies

#Rocket Man - Elton John

Saturday, September 10, 2011

Hair

Uma das décadas que mais me fascina é 1970. A quantidade de referências visuais que eles usavam, a quantidade de estilos... é tudo incrível, do hippie ao disco. Por isso resolvi falar de uma das histórias que também me encanta demais: o musical Hair. Na verdade a peça é de 1968, mas o final dos anos 1960 foi beeem mais pra lá do que pra cá! E mesmo com essa adoração toda, acho que os anos 1970 são o que menos combinam comigo, que sou zero desprendida ou relax... vai ver que é por isso que eu acho tão legal.

A foto é da montagem que teve aqui no Brasil (momento de tietagem, por favor) do Charles Moeller e Claudio Botelho, que pra variar fizeram uma coisa foda e pela segunda vez o meu primo Marcel Octavio participou! (ele é o loiro da foto, com esse colete de gola de pele incrível)
Enfim, a caracterização estava demais e todas as vezes que eu assisti deu uma vontade danada de virar hippie, hahaha. Túnicas com motivos orientais, batas indígenas e indianas, tricots, miçangas, flores, estampas africanas, peles, bordados, franjas e jeans: imagino o trabalho que deu distribuir isso entre 30 atores, que estão em cena juntos quase o tempo todo, de forma harmônica. Não tem absolutamente nada nesse figurino que pareça estar faltando nem sobrando, e Marcelo Pies conseguiu transmitir o ideal hippie muito bem.
O video é a primeira cena do filme Hair, que estreou quase dez anos depois da peça, mas fez muito mais sucesso. E o espírito é o mesmo, essa cena é a essência do filme, é maravilhosa. É uma cena que tem textura...maravilhoso!

#Swan Lake Op. 20, Act III - Montreal Symphony Orchestra

Thursday, September 8, 2011

Meia-noite em Paris

Essa história é sobre um homem que sonhava em viver na Paris dos anos 20. Ou sobre a insatisfação que o homem contemporâneo sente em relação ao mundo. Afinal, em algum momento da vida todos nós já quisemos viver em outra época. O filme é um sonho, absolutamente apaixonante, mas meu propósito aqui é mostrar minha opinião sobre o figurino, não sobre a história.

Os vestidos deslumbrantes usados por Adriana (Marion Cotillard) foram, segundo a figurinista Sonia Grande, garimpados em brechós do mundo inteiro. Ok, então as peças realmente são da época*. Me incomoda no filme o comprimento das roupas.

A década de 1920 foi realmente revolucionária nas artes, desde pintura, escultura e arquitetura até o modo de vestir. Foi influenciada pela silhueta mais solta e leve que Paul Poiret havia “inventado” ainda nos anos 10 e popularizada pela primeira dama da moda mundial, Coco Chanel. Essa juventude vanguardista subiu o comprimento das saias das mulheres, causando imenso choque. Mas “choque” porque as saias costumavam ser longas, até os pés. O novo comprimento dessas saias era, no máximo, abaixo do joelho. Apenas em 1925 algumas mulheres encurtaram mais ainda, para a altura do joelho; não acima.

As roupas lindas usadas por Adriana são todas curtas demais para a época. Talvez fosse intencional, mas minha impressão é que Marion Cotillard é alta demais para usar uma roupa daquele tempo.

* acho muito importante diferenciar os termos “da época” e “de época” – por exemplo, “Moulin Rouge” é um filme de época, mas o figurino não é da época (que, no caso, é o Belle Époque), foi feito para o filme e não garimpado em brechós por aí... foi?


#Rolling in the deep - Adele