Wednesday, October 12, 2011

Eu receberia...

Já começo dizendo que eu não esqueci que a minha proposta para esse blog é comentar figurinos, mas é que o Festival acontece só uma vez por ano e eu quero dar ênfase a esse evento que merece todas as atenções durante essas duas semanas que enchem os cinemas do Rio de vida. E, não lembro se já disse aqui, durante o Festival eu priorizo os filmes nacionais, até porque a maioria não entra em cartaz depois ou demora muito. Esse ano tá fraco pra mim... o primeiro filme que vi foi hoje (o Festival começou dia 6).

Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios. Um filme de Beto Brant baseado no livro homônimo de Marçal Aquino. Lavínia, Ernani e Cauby. Três personagens num triângulo amoroso cada cena mais complicado e difícil de resolver. Um final que eu não vou comentar na tentativa de deixar uma pulguinha atrás da orelha dos leitores, espero que todos vejam esse filme maravilhoso o quanto antes; Ainda tem mais 4 sessões no Festival e estréia em circuito só em março.

A trama acontece em Santarém, no Pará, que pelos takes dá pra sentir que é um verdadeiro Paraíso na Terra - e, segundo Beto Brant, não tem mosquitos no fim da tarde. Durante o filme mesmo me impressionou a atuação, especialmente da Camila (Lavínia). Gero Camilo, mais uma vez inesquecível. Gustavo Machado em alguns momentos me lembrou seu Félix de O Amor segundo B. Schianberg (também de Brant). Não tenho palavras para o pastor de Zecarlos Machado, impressionante. Claramente todos se entregaram de corpo e alma a esses personagens e o resultado só podia ser bom!

Mas o que eu gostei mais foi o debate. Fui na "sessão popular" do Festival, onde o ingresso é R$2,00 e tem debate sobre o filme com equipe e elenco. Minha primeira impressão era que não tinha uma necessidade daquela história acontecer em Santarém, mas no debate me percebi enganada. E não é só o lugar que é importante para o filme, o filme também é importante para o lugar. A questão abordada, sobre o desmatamento e a briga entre índios e madeireiras é real - sim, na vida todo mundo sabe que isso existe. Mas no filme, no filme mesmo isso é real. Uma cena crucial para o desenrolar da história foi de fato um protesto das aldeias que vivem nas margens do rio, que deu mais ainda um caráter documental - que, eu acho que posso dizer, é bem particular do Beto Brant.

Dois dos oito líderes do movimento contra o desmatamento da Amazônia estavam no debate. Quando eles falaram da despreocupação do governo em relação às tribos e ao ambiente onde habitam me deu um aperto no coração. Uma vontade de ser alguém, de ter poder para fazer algo a respeito. Esse filme, eu acho, pode ser um grande divulgador do movimento, mas não deixo de pensar que a primeira impressão das pessoas - assim como a minha - não vai ser o problema dessas nações indígenas que estão perdendo seu espaço e, sim, a história e o desenrolar do triângulo amoroso. Não vou me estender mais porque eu sei que não tenho muita base para falar da reivindicação deles, não quero falar bobagens. Mas acho importante ressaltar que esse oito líderes estão jurados de morte onde vivem e o governo recusou os pedidos de escolta policial. Não tenho nem palavras para dizer o quão absurdo isso é.

Um breve parágrafo sobre os aspectos técnicos do filme. Começo pelo que mais chama a atenção: a fotografia. Parabéns, Lula, o filme todo é muito lindo - que que é a cena de Lavínia e Cauby no rio??? De resto era tudo muito realista, muito bem feito. Uma tecla que eles martelaram bastante no debate, o clima das gravações foi tão bom, tão familiar, que tudo se encaixava. O figurino realmente não é o carro-chefe do filme, mas é impossível não notar que ficou muito bom, que é realmente aquela gente que vive ali e as roupas dizem isso. Direção de arte a mesma coisa.

Deu uma vontade danada de ler o livro...


#Perdão você - Marisa Monte

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Nossa, tenho uma sensação tão forte de que esse texto ficou confuso... mas não estou em condições de melhorar agora. Seja o que for pra ser.

3 comments:

Lucas von Seehausen said...

Tem certeza que abandonou Cinema? hahahaha curti o blog! Beijo

cacá said...

boa pergunta!! quero ver o filme!! bjs

Quarto de Despejo said...

Vou ver o filme. E certamente ler o livro, que me foi recomendado mês passado por uma amiga.
Bacana o blog, Mari!

Bjs,

Lucia